por vilsonmartinsfilho

07 ago 2014

O despertar da curiosidade: o desafio no uso de tecnologias da educação

A familiaridade que as crianças pequenas têm com a tecnologia surpreendem adultos de nossa geração todos os dias. Eles aprendem sozinhos a baixar aplicativos, usar smartphones e TVs interativas. “Olha só, como eles são inteligentes”! “Em dois minutos, ela já aprendeu a bater foto e instalou um joguinho”. O segredo desse fenômeno é a curiosidade, característica humana que costuma ser muito mais aguçada na infância e que é fundamental no processo de ensino-aprendizagem. Saber como despertá-la é o grande desafio no treinamento de professores para o uso de tecnologias da educação.

Alguns estudiosos da área da educação têm refletido sobre como a curiosidade está relacionada ao processo de aprendizagem.  Um deles é o norte-americano Carl Roger (1902-1987), que desenvolveu o conceito de aprendizagem significativa. Segundo ele, no livro “Tornar-se pessoa”, a aprendizagem significativa “provoca modificação, quer seja no comportamento do indivíduo, na orientação futura que escolhe ou nas suas atitudes e personalidade”. Seria mais do que uma acumulação de fatos.

Para ele, ensinar pressupõe despertar a curiosidade e desafiar o estudante a confiar em si mesmo e procurar, por conta própria, mais conhecimento. Vale mais ensinar a aprender do que impor a uma criança ou jovem que decore informações que amanhã ou depois podem ser consideradas erradas.

A tecnologia, que permeia tantos aspectos de nossa vida atual, é fruto dessa curiosidade que produz conhecimento e ferramenta para ensinar e aprender de forma diferente. Idealmente, o treinamento de professores deve levar em conta que a maioria das crianças e jovens usa a Internet, por meio dos seus celulares principalmente, para buscar conhecimento e cultura espontaneamente. Eles procuram e encontram respostas para suas dúvidas nesses ambientes virtuais sem a imposição de ninguém.

O desafio é incentivar que essa busca não fique restrita ao entretenimento e mostrar que pode ser divertido usar ferramentas digitais de colaboração para entender melhor a sociedade, para pensar em que profissão seguir no futuro e para alimentar sonhos de transformação deste mundo.

O execício, para os educadores, é despertar em si mesmo essa curiosidade sobre o que está posto: tentar entender como a atual geração pensa e se informa e, alinhado a essa nova dinâmica de aprendizagem da vida externa à escola, adaptar os métodos dentro dos muros das escolas. A escola não pode mais ser baseada no fluxo aula-prova-nota-diploma, concorda?

Compartilhe conosco o que você pensa sobre como o treinamento de professores no uso das tecnologias de compartilhamento deve ser feito para estimular a curiosidade dos estudantes.

Foto do topo:  Viking Photography/CC



Acompanhe nossas novidades nas redes sociais!