por admin

20 nov 2019

Do Big ao Smart Data: qual o panorama das empresas brasileiras em meio à profusão de dados?

Dados de todas as naturezas, origens e com propósitos diferentes é o que não faltam no mundo corporativo. A cada dia surgem mais e mais mecanismos de coletas – mesmo que não intencionais – de dados. A estimativa feita pelo Fórum Econômico Mundial é de que, nos próximos dois anos, cerca de 40 zettabytes serão criados das mais diversas origens.

Na contramão deste fenômeno, a análise da entidade também relata que apenas 10% de todos os dados disponíveis atualmente são, de fato, coletados de modo que permitam a sua análise e compartilhamento. Afinal de contas, quanto maior a quantidade de dados gerados, maior também será a necessidade de estruturas inteligentes de TI e de sistemas de segurança capazes de proteger a integridade destes dados.

Através da Inteligência Artificial, Aprendizado de Máquina e outros fatores, como a massificação de dispositivos móveis, essas quantidades literalmente astronômicas de dados circulam todos os dias na internet e fora dela, afogando as corporações e entidades.

Para o cientista de dados Michel Ávila, Chief Data Officer de uma empresa de Software de Análise de Dados e Business Intelligence de Santa Catarina, o conceito de Big Data que mais abraça o mundo corporativo é o de que o termo não se refere apenas ao exagero de dados produzidos; vai além. Trata-se de um fenômeno não proposital, mas de crescimento acelerado – e até descontrolado -, que provoca e impacta a indústria, academia e todo o campo da ciência de dados e que forçou a adaptação das Indústrias, tecnologias, ferramentas, etc.

“Simplesmente, quando nos demos conta, vimos que tinha um movimento tão grande, um verdadeiro tsunami, e tivemos que nos adaptar a isso”, relata Michel.

Para ele, foi o grande marco que impactou o mercado e a sociedade de tal forma, que o fenômeno pode ser interpretado como parte do surgimento de uma nova revolução industrial.

Mas e o mercado brasileiro em relação ao Smart Data?

Segundo a Pesquisa Global de Qualidade de Dados de 2019 conduzida pela Experian, em que o Brasil figura como um dos países analisados, de cada 10 companhias, sete assumem não terem o controle direto sobre os seus dados, ainda que entendam a importância deles para a obtenção dos objetivos de negócios. Mais do que isso, a falta de controle destes dados empobrece a experiência que o cliente tem naquela organização.

Outra grande queixa das empresas entrevistas é o grande volume das informações. Um alto número respondeu que a quantidade enorme dos dados dificulta a gestão: 65%, o que acaba levando a perda de insights importantes. Outro número impactante é o de empresas que sentem os impactos da falta de qualidade dos seus próprios dados: 95% dos respondentes não creem que seus próprios dados não são bons o suficiente para que gerem resultados.

Segundo Michel Ávila, as empresas brasileiras estão se posicionando de duas formas em relação ao uso de dados para negócios: ou internalizam e montam times internos de análise de dados, ou se valem de plataformas que automatizam o processamento e a análise daqueles dados de acordo com a vertical da qual a empresa pertence.

Em tempos de GDPR na Europa e da LGPD se aproximando, é imprescindível que as empresas tenham controle, analisem corretamente e saibam os caminhos por onde trafegam os seus dados. Não há mais tempo ou negócios a perder.

Power BI -Microsoft

Plataformas como Power BI facilitam a gestão e análise de dados

Plataformas e o futuro

Como ficam, então, as plataformas no uso dos dados? Com a sofisticação da coleta e análise dos dados, sofistica-se também as plataformas de coleta e análise. O fato é que o futuro mostra que mais softwares surgirão, bem como a profissão de analista de dados será uma das mais buscadas pelos departamentos pessoais das organizações.

“Eu acredito que teremos canais de consumo, de insights de negócios, um pouco mais fáceis e acessíveis. Eu acredito que existirá uma proliferação maior de plataformas que ficarão mais acessíveis ao pequeno e médio empresário, que é quem ainda fica às margens”, avalia Michel Ávila, quando perguntado sobre as projeções dos próximos dez anos no mercado de análise de dados.

E aproveita para dar o recado sobre o que é realmente importante sobre os dados:

“O que interessa, no final do dia, é um ‘sim’ ou um ‘não’ para uma decisão importante a ser tomada. O que os decisores querem não é um volume grande, mas insights. Querem saber se compram ou não, se expandem, se trazem um produto novo, se abrem o mercado ou se aprofundam mais um segmento. O mais importante é transformar o Big Data num Smart Data”.



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